A travesti comunista, o Estado utópico e o projeto humanidade

Uma travesti na Ditadura Militar

Historicamente dentro da cultura ocidental pessoas que divergiam da cisheteronormatividade nunca foram aceitas. Esses foram perseguidos e são até hoje, e se abre uma pauta para a banalização da morte de travestis e transexuais no Brasil.

Sabe-se que nos movimentos de esquerda que queriam abolir a ditadura militar no Brasil não se aceitavam homossexuais porque não eram dignos da revolução, quiça travestis. Então sempre foi assim dentro daqueles projetos de uma sociedade progressista e sem classes onde a liberdade reinasse. Basicamente as travestis sempre foram excluídas de qualquer grupo minoritário, seja ele socialista, feminista, negro e GLS*.

Não é de se espantar que nos governos que se autoproclamaram socialistas, essas minorias de gênero e sexualidade tenham sido perseguidas e encarceradas em campos de trabalhos forçados. Viva às ditaduras proletárias de Stalin e Fidel Castro!!! Viva! Quem pode se vangloriar de uma revolução excludente e de segregação?

Com o passar do tempo se não fossemos nós lutarmos por direitos não seriam os “revolucionários” e nem os movimentos sociais que lutariam por nós. Com o advento de novas teorias e outras lutas, começamos a ganhar espaços dentro dos movimentos sociais. Hoje em dia falamos de interseccionalidade. Mais ainda sim somos “os outros”. Os movimentos sociais ainda acreditam numa igualdade social, onde não vai haver opressões.

Se acredita que somos diferentes dos animais a partir de nossa racionalidade, que os nossos preconceitos são frutos de uma construção social, isto é, uma processo de criação de nossos ancestrais até chegar aos nossos pais que nos perpassam tais ideologias. Mas Hobbes já dizia que a natureza por si só é competitiva. Então muitas de nossas ações são reflexos de nossa espécie que tanto lutou por sobrevivência.

Os meus sonhos se findaram quando percebi que os seres humanos cristalizam certos preconceitos porque as grandes religiões proclamaram uma cultura em que firma a mulher como o segundo sexo e que homem nasce com pênis e mulher com vagina. Na Filosofia vamos questionar todos os papéis sociais e verdades estabelecidas. Se a natureza mostra que a fêmea serve pra procriação da espécie, os humanos vão ter que se questionar todo o patriarcado para não perpetuarem a misoginia contra a mulher e deixá-la assumir os mesmos papéis sociais que os dos homens. Se a cultura humana diz que o homem fez isso e aquilo outro, conquistou isso e tudo mais é porque não deram lugar para as mulheres. Se até Deus é uma alcunha masculina e ele envia o seu próprio filho para a Terra, percebemos que as mulheres não tem muita representatividade no cristianismo.

Já imaginou alguma instituição baseada em princípios anti-machistas? Eu já consegui mas com o tempo ele se modifica e se corrompe. Parece que o homem cristaliza o seu machismo de fato, e ele pode ser de esquerda ou anarquista, mas pergunte dele se o mesmo assumiria uma relação com uma travesti e se esse seria o símbolo de um novo modelo de amor revolucionário. Quase impossível. Impossível também criar uma corrente ou um partido de esquerda que deixasse de fora os homens machistas. Com a realidade atual é mais possível mulheres cis ou trans fundarem qualquer partido sem ajuda de um homem cis hétero esquerdo-macho. Qualquer corrente ou partido esquerdista vai ter mais de um esquerdo-macho.

Lembrando que todos os líderes de qualquer revolução socialista foram homens cis brancos. Não houve representatividade negra. As pessoas negras estavam trabalhando ou sendo escravizadas. Se a mulher cis branca questionou o seu papel dentro do patriarcado e buscou uma igualdade de gênero, a mulher cis negra já estava trabalhando e sendo mãe e pai ao mesmo tempo. E as travestis? Nossa! Essas foram excluídas de tudo que é classe social. Basicamente travesti não tem cidadania. Essa é expula das famílias ricas e pobres, brancas e negras. Pois ser travesti é um crime muito hediondo digno de sujeição às margens das margens sociais.

Então se tiver que acontecer uma revolução ela vai ter que se estabelecer como uma ditadura contra o patriarcado. Porém, para mim isso é impossível. O que ocorre atualmente no cenário brasileiro é uma revolução moral sem artilharia. A esquerda finalmente adotou as causas das minorias de gênero e sexualidade. Agora pode se ver uma travesti comunista. Agora acreditar num Estado democrático de direito, sem classes sociais e opressões, para mim é um projeto utópico. Não posso dizer que isso seria impossível mas a humanidade teria que evoluir em cima de uma construção social com princípios humanistas e igualitários. O projeto de humanidade atual já deu erro desde quando ele começou com o princípio de superioridade aos demais animais e natureza, e os próprios homens nunca conseguiram aceitar as diferenças e se degladiam até hoje. Todo pensamento que compreende a ação de se construir uma sociedade mais justa e igualitária se corromperá com as atitudes humanas.

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