O que é a androginia?

aladin  Androgia

Androginia refere-se a dois conceitos: a mistura de características femininas e masculinas em um único ser, ou uma forma de descrever algo que não é nem masculino nem feminino.
Pessoa que se sente com uma combinação de características culturais quer masculinas (andro) quer femininas (gyne). Isto quer dizer que uma pessoa andrógina identifica-se e define-se como tendo níveis variáveis de sentimentos e traços comportamentais que são quer masculinos quer femininos.

Ontologicamente as entidades “homem” e “mulher” construíram-se como uma dualidade. Vemos a sociedade falar em termos como macho alfa e mulher de verdade. Esses termos servem para distanciar as identidades e normatizá-las para que apenas grupos seletos de pessoas sejam conhecidos como tal – sendo isso uma enorme falácia, claro, porque é homem ou mulher quem se declara como tal. Para os psicólogos, médicos e até estilistas, a androginia é sobretudo um fenômeno cultural, nada tem a ver com a bissexualidade ou o homossexualismo.

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A empresária e especialista de moda, Costanza Pascolato, há anos analisa a influência da androginia no estilismo. “A moda contemporânea não para de brincar com as diferenças entre os gêneros. Com isso expressamos nossas ideias mutantes sobre o que é ser homem ou mulher”, escreveu em 1988, num artigo de jornal. Hoje ela acrescenta: “Um ligeiro toque de ambiguidade aumenta o lado sensual das pessoas. O masculino e o feminino exagerados são menos sexy. Há uma qualidade misteriosa em Marlene Dietrich e Greta Garbo, que vem em parte da sugestão de virilidade lá no fundo de sua personalidade”.

É possível que estejamos convivendo, atualmente, com uma acentuada tendência à alteridade — conceito desenvolvido pelo psicoterapeuta Carlos Byington, de São Paulo, um dos fundadores da Sociedade Brasileira de Psicologia Analítica.“O dinamismo da alteridade consiste na interação igualitária das polaridades”, escreveu em obscuro dialeto profissional no livro Dimensões simbólicas da personalidade.

O ensaísta e crítico Ismail Xavier, professor da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, lembra dois filmes marcantes: Morte em Veneza, do italiano Luchino Visconti, baseado numa novela do escritor alemão Thomas Mann. “O adolescente por quem o velho compositor (o ator inglês Dirk Bogarde) se apaixona, personifica o andrógino enquanto figura de contemplação estética ambígua”, analisa Xavier. O outro filme é Teorema, do também italiano Pier Paolo Pasolini. Uma espécie de anjo exterminador (o ator Terence Stamp) seduz todos os membros de uma família burguesa conservadora. Um dos marcos da literatura moderna, Orlando, da instigante escritora inglesa Virginia Woolf, a longa narração da vida de uma personagem ora homem, ora mulher, foi levado ao cinema pela diretora inglesa Sally Potter. Convém não perder, pois qualquer que seja o resultado, o filme será mais fácil de ver do que o livro de ler.

O inconsciente humano sempre conviveu com uma certa confusão entre os dois gêneros. Os escultores gregos clássicos fundiam feminino e masculino de tal forma que, não raro, os restauradores modernos equivocaram-se reconstruindo efebos (rapazes adolescentes) como se fossem moças. Nos antigos baixos-relevos da Índia, da mesma forma, quase não há separação por sexo; afinal, divindades precisam ser completas, não teria sentido empobrecê-las fazendo-as masculinas ou femininas. Os pintores também criaram mulheres e homens com jeito andrógino. “Todas as figuras masculinas do clássico italiano Leonardo Da Vinci (1452-1519) são femininas e até mereceram um estudo de Freud”, lembra a pintora e professora de desenho Ely Bueno, de São Paulo. “Os homens e mulheres de Marc Chagall (1877-1985) apresentam ambiguidades de gênero. O contemporâneo americano Andy Warhol (1927-1987) fez uma Marilyn Monroe que é ele próprio. Hoje, o ótimo cuiabano Humberto Spíndola faz figuras andróginas. São apenas alguns poucos exemplos”, garante a pintora.

Na indústria da moda, os modelos andróginos têm sido requisitados para protagonizar campanhas de grandes grifes. Em alguns casos, os modelos posam com um look que reproduz tanto a coleção masculina quanto a feminina.

 

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